quarta-feira, 25 de maio de 2011

me morde — capítulo O1 — parte O1

     — Amanhã é o aniversário dela... — Ele inclinou um pouco o rosto no espelho, tentando encontrar um ângulo que o deixasse mais fofo ou bonito. — Amanhã é o aniversário dela... — Ele fechou um pouco os olhos e sorriu. — É isso.
     — Vai se assumir? — Thiago virou o rosto e encarou o amigo.
     — Não Marcus. — voltou a encarar o espelho. — Vou continuar mantendo em segredo o meu amor por você. — Marcos começou a ficar vermelho, mas o outro preferiu ignorar aquilo.
     — Você precisa dizer pra ela que a ama, sabe. 
     — Você tem idéia... — ele ajeitou o terno. — de quantas pessoas nos diziam quando éramos pequenos que acabaríamos ficando juntos? Que era normal acabar se apaixonando pela melhor amiga e que era mais normal ainda se casar com ela?
     — Tenho. — Marcus se virou na cama, ficando de barriga para cima e abaixando a cabeça até conseguir ver Thiago de cabeça para baixo. — Eu era um desses. Mas eu tinha razão, você é apaixonado por ela. 
     — Claro que sou mas... — ele suspirou. — Ela namora. — Marcus manteve a expressão intacta e falou, com a voz de sermão que sempre passa quando tenta dar uma de superior. Toda hora.
     — Bem, e daí que ela namora? Você sabe muito bem que a desgraça do namorado dela é um piranha que só sabe machucar ela...
     — Mas ela o ama... — a voz dele foi baixa.
     — Não, ela acha que o ama. Pode nem ao menos ter conhecido o amor de verdade e estar se iludindo nesse exato momento. Você ama ela cara, ela no mínimo deve ter algum sentimento por você.
     — Ou não. E seremos melhores amigos para sempre. — ele levantou o braço, revelando uma pulseira de prata que todos consideravam gays, mas que tinha um A & T escrito. — Esse era o trato.
     — Tratos são quebrados. Agora tira essa roupa que está me deixando irritando, parece um pinguim. — Thiago tentou ajeitar a gravata, sem sucesso, e então começou a tirar as roupas até ficar só de cueca. Tentou ignorar o fato de que seu suposto melhor amigo hétero assistia a tudo sem nem ao menos piscar. Tentou ignorar o fato de que esse suposto melhor amigo hétero sempre se excitava com aqueles momentos e sempre dava para ver muito bem o volume na calça dele. Não que Thiago ficasse observando sempre a calça dele para procurar por um volume sobrenatural. Apenas você percebe sem querer.

     — Se eu ganhar uma festa surpresa, eu te mato. — Ela falava aquilo em todos os seus aniversários. Uma vez ele achou que ela estivesse brincando e falando aquilo por falar, e que realmente queria uma festa. Ela jogou o ponche inteiro nele e depois enfiou a cabeça do garoto no bolo e segurou, tentando matá-lo asfixiado.
     — Você não vai ter uma festa, eu já te garanti isso. — Anna sorriu satisfeita e então voltou a mexer no iPod recém ganhado e descoberto sem querer. Não que vasculhar todos os cômodos da casa e encontrar seu presente dentro da gaveta de cuecas do pai (foi um momento bem assustador, acredite), seja considerado exatamente sem querer. — Eu já comprei o seu presente. — A atenção dela mudou para a cara dele. Não sorria, estava séria.
     — Está querendo me dizer que comprou o presente da sua melhor amiga um dia antes do aniversário dela? — Ele fez que sim. — Cara de pau.
     — No ano passado você quase não se lembrou do meu aniversário e tem coragem de falar isso? — Ela revirou os olhos.
     — Quase não me lembrei? Você ficou os dez dias anteriores fazendo uma contagem regressiva e pulando porque iria ficar mais velho. — Ela se levantou da cadeira e começou a pular frenética. "EU VOU SER QUASE MAIOR DE IDADE, EU VOU SER QUASE MAIOR DE IDADE!" — disse, o imitando.
     — Cala a boca. — Ele começou a brincar com os dedos, fazendo sua teia de aranha que apenas ela conseguia imitar. 
     — Ficou nervoso foi? — Thiago abaixou a cabeça, o rosto ficando vermelho e a voz abaixando uns dois tons.
     — Não. 
     — Meus pais querem te levar para o jantar, você vai né? — Ele parou com a teia e a olhou. Já até havia alugado o terno.
     — Vou... Porque o Nich não pode ir mesmo? — Ela ficou com a cara emburrada e se aproximou dele e sentou-se no seu colo, ele não gostava quando ela fazia isso. 
     — Porque ele é um panaca, mas você é o amor da minha vida. — e deu um beijão no rosto dele.
     — Porque vocês não terminam? — ele abaixou o rosto, fugindo do olhar esperto dela.
     — Porque ele é bom de cama. — Ah, claro, o fator sexo. Já era bastante humilhante sua melhor amiga perder o BV dois anos antes que você, mas ainda mais humilhante o fato de que ela havia perdido a virgindade no ano em que você perdeu o BV. E o cara disse que foi a melhor transa da vida dele, e olha que ele tinha dezoito anos e era bem forte. Caras altos e fortes não comentam uma coisa dessas a não ser que seja verdade. 
     — Isso não é suficiente para se namorar.
     — Eu o amo. — ele ficou vermelho, mesmo sabendo que não era sobre ele que ela falava.
     — Pode estar se iludindo e não ter conhecido ainda o amor verdadeiro. — ela levantou do seu colo de repente, o encarando.
     — Que papo é esse Thiago? — ela o encarava daquele jeito que o deixava ainda mais nervoso. 
     — É s...
     — É só o quê? — ela o interrompeu, a voz ficando esganiçada. — Eu o AMO, tá legal? Ele é o amor da minha vida, e vamos ficar juntos para sempre, eu e ele. — Thiago levantou a pulseira.
     — Um triangulo amoroso que valerá a pena. — disse sarcástico. Ela não respondeu, ficou o encarando. Foi até seu lugar anterior e se sentou. Ele esperou que ela falasse algo, mas não falou e nem falaria, pela cara emburrada que fez. — Desculpa.
     — Ok. — ela voltou a dedilhar o iPod, o rosto fechado. — Só nunca mais fale nada em respeito de terminar com o Nich, ok? Eu o amo — ela o encarou —, eu o amo mais que tudo no mundo. Com exceção de você e meus pais. — ele abaixou o rosto ainda mais. — Eu amo o Nicholas, ok?
     — Ok.

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